9 de jul. de 2009

ENTREVISTA COM PLASTIC FIRE

1) “Somos uma banda de Hardcore cuja amizade interliga, une e fortalece a cada dia mais cada um dos seus componentes e busca sempre superar qualquer barreira que se instale entre nós e nossos objetivos.” No hardcore/punk ter uma banda ultrapassa a idéia de um grupo que somente se propõe a tocar músicas. No trecho exposto fica evidente a idéia de que para vocês uma banda é feita de diversos sentidos, dentre eles, a troca de experiências e convivência com amigos. Pensando nisso, fale-nos sobre a formação da banda e sobre o significado do nome da mesma.


Antes de mais nada, a gente agradece de coração a proposta da entrevista.

Respondendo a primeira pergunta, na nossa opinião, o próprio estilo '' hardcore'' em si, já se propõe isso: uma melhor interação e convivência entre as pessoas. Ter uma banda, nesse sentido, é a exposição de idéias coletivas, onde a convivência pacífica, mesmo não sendo sempre alcançada (aqui entre nós a porrada sempre come, afinal de contas, onde tem mais de uma opinião entre os assuntos, sempre há uma certa discordância) é buscada; é o que nós sempre buscamos. A gente já passou por alguns conflitos, pessoas já se foram e novas pessoas entraram na banda, mas, SEMPRE pensamos em prol da coletividade, sempre visamos essa AMIZADE acima de tudo. Eu, por exemplo, jamais tocaria numa banda onde não estivessem os meus amigos e jamais conseguiria me ambientar bem numa banda onde algo que não a amizade fosse a prioridade. Parece doidera, mas o próprio nome da banda é uma síntese do que significa amizade: é algo explosivo, onde algo que consome é ao mesmo tempo consumido. Plastic Fire significa, metaforicamente (não numa tradução muito ao pé da letra), algo q queima e que se refaz, algo que se extingue e não se limita a uma existência linear, uma amizade para mim é isso, queimar e renascer.



2) Vocês alegam que suas músicas buscam uma “sonhada sonoridade própria”, todavia, mesmo construindo músicas que os levam ao novo, vocês não se desprendem das “velhas” influências. Fale-nos sobre as influências gerais – sejam elas musicais ou não - que os guiam nas confecções das músicas?


Todo mundo que começa a tocar, seja em uma banda ou aquele velho violão do pai, acaba fazendo isso, por ter ouvido ou uma banda ou uma canção que acabou despertando aquele sentimento que diz: ''cara, como eu queria tocar/cantar essa canção!!!''. Essa “sonhada sonoridade própria” acaba não sendo o mais importante na gente porque acabamos voltando aquela pergunta: “o que é o novo? quem inventou isso ou aquilo?'' Porque buscar nem sempre é conseguir, mas sempre devemos buscar algo. O que queremos mesmo é que quando uma música esteja pronta, ela esteja sendo o mais sincera possível, que ela seja as nossas palavras, que ela esteja com a nossa cara, como algo q gostamos muito de tocar. As influências são as mais gerais possíveis: uma musica do Ramones ou do Jorge Ben (ergth), uma notícia do Jornal da Globo ou do da Bandeirantes, um livro do Dostoievski ou um artigo do Paulo Coelho, um papo cabeça ou conversa de botequim, ou quem sabe alguma entrevista que nos faça pensar e refletir sobre nós e sobre a banda, quem sabe! O que importa é q as palavras sejam o mais sinceras possíveis!


3) Sabemos que vocês já tocaram em diversos lugares, dentre eles, Espírito Santo, São Paulo, e algumas cidades do Rio, nesse sentido, é louvável o esforço que vocês fazem para tocar e divulgar a banda. Tocar em diversos lugares não implica em somente compartilhar músicas, mas antes trocar experiências. Fale-nos a respeito dessas diversas experiências que vocês tiveram tocando fora e o que isso trouxe de positivo para a banda.


Cara, acho a agente toca em todo lugar possível e imaginável. É só ser chamado ou até mesmo se convidar para tocar... euheuheuhe... fora do estado agente tocou em lugares muito legais, em lugares mais cheios e em cidades distantes. A vibe das pessoas é a mais diversa, mas ainda acho que trocar uma idéia, comentar sobre a cidade onde estamos, conversar e fazer novos amigos é o que mais importa nessa bagunça toda. Às vezes agente viaja 6, 8 horas, pagando do nosso bolso, dormimos mal e comemos pior ainda. Mas quando agente tá de volta pra casa, moído e sem dinheiro, a felicidade de ter feito o que realmente nos faz feliz é o que mais vale; e trazer isso na bagagem de volta é impagável.


4) Vocês vêm participando de alguns projetos, como a coletânea GANG FRIENDS SIN FRONTERAS(PERU). Quando essa coletânea será lançada e quais os futuros projetos de vocês. Pretendem lançar outro cd?


Essa coletânea está sendo organizada por um pessoal do peru que agente acabou conhecendo na net. Mandamos nossa música para eles e eles gostaram e levaram alguns cds nossos prá lá. Estamos engajados numa coletânea chamada ''RIO DE JANEIRO - HARD CORE'', que irá contar com, pelo menos, 33 ótimas bandas aqui do RJ, que consiste na produção de 1100 cópias e alguns festivais aqui no RJ e até mesmo fora dele, em cidades e estados visinhos. Agente tá vendo um projeto sobre a ''dirty and real tour'' que deve acabar virando uma coletânea com bandas de vários estados, pelo menos os 4 estados do sudeste. Sobre o cd novo, vamos começar a gravar algumas músicas ainda esse ano, para um EP virtual ou um split, quem sabe.





5) “O que você constrói para o futuro do mundo?” No vídeo feito da música “Futuro” são apresentadas fortes imagens, fazendo jus à injustiça e violência que nos deparamos cotidianamente. Frente a esse presente desolador, a música nos deixa a indagação - o que podemos esperar de um “futuro de um mundo como este”? Fale-nos a respeito disto e conte como surgiu a idéia do clipe.


A idéia da música surgiu de uma reportagem sobre o Iraque, na verdade era apenas uma poesia tendo a guerra como tema. Acabamos compondo e musicando a poesia e virou futuro. A música é rápida e agressiva e o clip acabou surgindo de uma idéia simples, com objetivo final de chocar e conscientizar sobre aquilo que estamos cotidianamente ligados: a violência, principalmente sobre a criança, é real. O clip é uma junção de imagens da segunda guerra, imagens do Iraque e muitas imagens do rido de janeiro, porque pensamos que a guerra está muito distante de nós, mas não está. A música age como uma reflexão simples sobre como é que nós contribuímos para o futuro do mundo, como é que agimos contra ou a favor do q está ao nosso redor. O cplip foi uma pesquisa minha e do meu queridão Victor Schaal, vocal da banda Stormbane (www.stormbane.com). Ele produziu e editou o clip, eu dei os meus pitacos... vale a pena ver e conferir o clip:



6) Vocês estiveram conosco na ocasião do 2° Uberlândia Hardcore, ocasião na qual exibimos o documentário Afro-punk. É notório que o Plastic Fire é uma exceção: hardcore melódico cujos integrantes, na sua quase maioria, são negros. É possível traçar algum paralelo?


O rock, em si, não foi muito generoso com e não reconhece muito a participação dos negros para a sua composição e estabilização. O documentário (que eu mesmo fiz muita questão de malocar uma cópia) fala muito bem disso, de como os negros são meio que deslocados da cena rock mundial. Graças a nossa grande miscigenação, os brasileiro não refletem muito essa discriminação, principalmente a norte-americana. Nosso preconceito aqui é outro, acaba sendo muito mais uma exclusão monetária, onde os negros acabam sendo muito mais POBRES do que apenas negros. No nosso caso, em si, agente faz muita piada sobre isso, como, por exemplo, o Erick ter entrado no sistema hardecoriano de cotas. Não somos uma banda muito politizada nesse assunto, somos uma banda política, onde negro e brancos são nada mais do que seres humanos, burros, preconceituoso, feios e ignorantes, seja lá qual seja a sua cor.



7) Qual o painel atual que vocês fazem da cena/comunidade hardcore carioca? Como vocês se incluem neste painel? É possível fazer alguma relação com o que vocês viram aqui em Uberlândia - tanto nas carências quanto nas virtudes?


A cena hc do RJ está tão boa ou tão ruim quanto a de muitos outros lugares. Ótimas bandas, muitas bandas novas, poucos lugares para tocar e muito menos gente para ver. O hc, no geral, não soube se ''renovar'' quanto os tantos outros estilos. As bandas acabam tocando muito para os amigos e muito pouco para novas pessoas. Tem muita gente preocupada em organizar eventos e muito pouco preocupada com a organização dos eventos. Os meios de comunicação, como orkut e myspace, acabam sendo meio que mal utilizados, pois, tipo, a galera acaba preferindo ver um clip no youtube ou baixar uma música do que ir no show, isso é um absurdo. Conhecer gente nova, novas bandas e ate mesmo novos estilos, trocar uma idéia sobre qualquer assunto com pessoas de verdade e não perfis, isso não tem preço, é vivencia, não se compra.

Eu particularmente, achei a galera daí de Uberlândia mais interessada, era a primeira vez a agente tocava aí, e tinha gente que já conhecia a banda, já tinha ouvido e até mesmo sabia cantar, fiquei emocionado, alegre que nem criança, deu vontade de ficar por aí. Acho eu que o sentido de CENA CARIOCA DE HC hoje em dia é esvaziado, a palavra e o sentido de COMUCIDADE FEZ MUITO SENTIDO PRA MIM, com o pessoal aí de Uber.


8) Nós adoramos tê-los conosco, considerem Uberlândia como a segunda casa de vocês. O que acharam do 2° Hardcore Uberlândia? E deixem a mensagem que quiserem.


Cara, adoramos tocar ai em Uber, queremos muito voltar, porque foi loco demais.